Muito se falou dos pênaltis – sobretudo os desperdiçados – nas duas semifinais da Champions League. Afinal, eles decidiram os finalistas. Decidiram?
Quando o
Barcelona fez 2 a 0 com um jogador a mais, o mundo se ajoelhou
mais uma vez. Porém, o carrossel catalão não contava com a pujança de Ramires,
autor do golaço que mudou a história do jogo. Esse gol, que fez Mano Menezes
rever seus conceitos, foi fundamental na reestruturação da partida. O pênalti
perdido por Messi e todo o resto foram consequências dele. Fernando
Torres ter saído na cara do gol enquanto o resto do time barcelonista sufocava o
Chelsea na outra metade do campo foi apenas a cereja do bolo.
O Real
Madrid também fez 2 a 0, até antes do esperado, e certamente não pensou que a
praga do rival pudesse recair sobre si. Mas quando se tem Pepe na zaga, tudo é
possível: no caso, um pênalti. A cobrança de Robben não poderia ter sido mais
perfeita. Outra reviravolta, mas que desta vez levaria a decisão da vaga para além
da prorrogação.
O que
quero dizer é que o gol fora de casa foi, sim, o fator decisivo das semifinais. Desde que a regra foi aplicada pela primeira vez, na Recopa europeia de
1965/66 – o Honved, da Hungria, passou pelo Dukla, da então Tchecoslováquia –, jamais havia sido tão cruel com o mundo da bola.
O jogo do século não será entre Barcelona e Real Madrid. Tampouco será do século. A partida mais importante da temporada será entre os poderosos (e desfalcados) Bayern e Chelsea, que por incrível que pareça estão sendo chamados
de “zebras”. De certo, o duelo em Munique terá sabor especial para os bávaros, que
jogam em seu estádio. E mesmo a final sendo em partida única, só os londrinos
poderão ser campeões com gol fora de casa.
