quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Um minuto de silêncio (leia em voz baixa)


Todo mundo tem um time de coração. Mas um dia, o coração para de bater. Taquicardia, infarto, pânico, desespero. Como é possível um jogador perder tantos gols? E um clube, tantos pontos? É, meu amigo, se o seu time já está moribundo faltando ainda um mês para o fim da temporada, é hora de ter fé. Não enterre as suas esperanças!
Começo pelo Palmeiras, que sequer chegou a nascer em 2011. A má administração do clube e a sequência de desavenças entre diretoria, torcedores, jogadores e comissão técnica foram sentidas dentro de campo: mais um ano sem títulos e sem vaga na Libertadores. Kléber brigou com Felipão, João Vítor com a torcida e Valdivia com a mulher. Mas corno mesmo é o torcedor palmeirense, que se sente traído pelas promessas e a falta de competência dos comandantes. Em meio a toda essa palhaçada, Adriano Michael Jackson apareceu. Só que Adriano foi embora e Michael Jackson morreu. Ao Verdão só restou a última rodada do Brasileiro. Tirar o título do rival é o prêmio de consolação.

O São Paulo, por sua vez, respira por aparelhos. O clube passou um ano diferente, com dois técnicos que não conseguiram domar o elenco – por isso veio Leão. A verdade é que o tricolor passou mais tempo pensando em comemorar fatos do que títulos. Rogério fez cem gols: teve festa. Rogério fez mil jogos: festa. Luís Fabiano foi apresentado: mais festa. Luís Fabiano estreou: outra festa. Mas quem fez a festa mesmo foram os adversários. O time nunca havia perdido tantos jogos dentro de seus domínios. Lá se vão dez jogos sem vitória, outros tantos sem ao menos marcar um gol. E a vaga na Libertadores segue ameaçada pelo segundo ano consecutivo.

Já o Corinthians é um morto de fome de títulos. Ainda briga pela taça no Brasileiro e a pressão vinda das arquibancadas aumenta a cada rodada, de acordo com a fragilidade dos adversários nessa reta final. Vieram os reforços de peso – Adriano à parte – e o time se encontrou: Liédson fazendo gols, Alex dando belos passes e Ralf desarmando os adversários. Mas a boa fase não foi o suficiente para se manter tranquilo no topo. O Vasco encostou e promete brigar até a derradeira rodada. E a cruz de Malta não pretende se fixar em nenhuma cova.

O Santos, com Muricy, ganhou novamente a Libertadores e encontrou o centroavante ideal: Humberlito Borges. Mas a ausência de Ganso fez o time cair de produção e o Brasileiro se transformou numa grande excursão de amistosos pelo País. O time parece estar se guardando para o Mundial – só esqueceram de avisar o Neymar. Porém, o torneio intercontinental não vai ser fácil; muito pelo contrário. Para o Santos conquistar o mundo, só mesmo se Messi for dessa para uma melhor. Se bem que, aqui, ele já está numa melhor.

Até agora, o ano de 2011 foi bom mesmo para a Portuguesa, que renasceu das cinzas e conquistou um título após quase 40 anos.
E o Flamengo? A maior conquista do ano foi o Ronaldinho. Para por aí.
O dia de finados da bola ainda está por vir. Aqui se faz e aqui se paga. E são poucos que vão descansar em paz.