quinta-feira, 8 de setembro de 2011

As mil e uma noites de Rogério Ceni


Quando Rogério Ceni acordou, em 25 de junho de 1993, não imaginava que pegaria um pênalti naquele dia. Ainda mais em sua estreia na equipe principal do São Paulo. O adversário era o Tenerife, pelo Torneio Santiago de Compostela. A vitória de 4 a 1 – Rogério defendeu a penalidade quando a partida estava 2 a 1 para o tricolor – levou o time para a final contra o River Plate, dois dias depois. Após um empate por 2 a 2, a decisão foi para os pênaltis. Rogério Ceni pegou uma cobrança e foi dormir campeão.

Poucas histórias de sucesso começam com vitória, mas Rogério Ceni sempre foi especialista em contrariar as estatísticas. O goleiro quebrou muitos recordes e a cara de quem não acreditava em seu talento dentro e fora da área.

Rogério Ceni não é só o jogador que vestiu mais vezes a camisa do São Paulo. Ele é o jogador que mais vezes atuou pelo mesmo time em Campeonatos Brasileiros, além de ser o que mais partidas jogou na história da competição; o jogador brasileiro que mais atuou na Libertadores e o maior artilheiro do São Paulo no torneio; o segundo goleiro da história com mais títulos em um só clube; o quarto jogador que mais vestiu a camisa de um time no futebol mundial; o atleta que mais entrou em campo com a tarja de capitão em todo o mundo; o maior vencedor da Bola de Prata, premiação concedida pela revista Placar; o maior goleiro artilheiro da história do futebol e o sétimo maior artilheiro do Estádio do Morumbi. Isso tudo, claro, acompanhado por muitos títulos nacionais e internacionais.

Em sua milésima noite de sono após uma partida disputada, Rogério Ceni certamente dormiu feliz. O goleiro foi responsável por mais uma quebra de recorde em sua carreira, desta vez a de público na atual edição do Brasileirão. O estádio do Morumbi recebeu 63.154 pessoas, dentre elas, 3 mil crianças – nem a Xuxa seria capaz de juntar tantos baixinhos.

Além de goleiro, Rogério Ceni atuou como DJ no dia da festa, escolhendo a trilha sonora do pré-jogo: Guns n’Roses, Pink Floyd, Midnight Oil e, claro, AC/DC – sua banda favorita. Depois da homenagem, a vitória diante do Atlético Mineiro foi a cereja do bolo.

Perguntado ao final da partida, Rogério comentou sobre o sentimento de chegar à marca de mil jogos: “Para mim isto foi muito bom, com o encerramento que eu imaginava (vitória do São Paulo). Com o carinho da torcida, a parceria e acreditar naquele cara que está aqui faz tempo. Ter uma festa como esta é excelente, mas já estou pensando no jogo 1001”. Pois bem. Que venha a milésima primeira noite de sono; com vitória e, quem sabe, a liderança.

1.000 partidas. Mais de 100 gols. Como jogador e pessoa pública, nota 10. Para os críticos, o camisa 1 é um zero à esquerda. Para seus súditos, três à direita.